Amar Demais... Um Erro!

Amar Demais... Um Erro!

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Tirinha


Adicção : Drogas, Álcool e Outros Comportamentos



Adicção (“Addiction”) – é uma dependência física e psicológica em relação a determinadas substâncias, actividades e relações. Através destas a pessoa procura um estado de gratificação imediata (prazer, euforia, alteração de estado de consciência, redução da tensão e ansiedade, alívio do sofrimento) apesar das consequências negativas que acarretam (isolamento, bloqueio do crescimento pessoal, doença, desaprovação social, perdas financeiras e de saúde, perda de relações significativas, violência, abuso, actividades criminosas e morte.)

Que tipos de Adicção existem?
Adicção a substâncias psicoactivas – dependência de drogas lícitas e ilícitas, álcool, tabaco
Adicção a actividades e comportamento – jogo compulsivo, sexo e pornografia, internet, trabalho, exercício físico, compras, distúrbios do comportamento alimentar – anorexia, bulimia e voracidade alimentar
Adicção ou co-dependência em relação a uma pessoa e a dinâmicas relacionais emocionalmente desgastantes, abusivas, obsessivas e desequilibradas que promovem a dependência e bloqueiam o crescimento e autonomia dos parceiros.

Como se manifesta?
Os sintomas, intensidade e consequências na vida da pessoa variam com os diferentes tipos de adicção. No entanto, existem alguns traços comuns.
Preocupação constante ou obsessiva em relação ao objecto de adicção (pessoa, substância, actividade) que ocupa o centro da vida da pessoa em detrimento de outras actividades recreativas e de bem-estar pessoal, negligenciando outras áreas da sua vida, responsabilidades familiares, profissionais e sociais;
Aumento da Tolerância: aumento progressivo do consumo (no caso das substâncias) e da frequência das actividades para obter os efeitos iniciais de prazer, euforia, “anestesia” ou sensação de preenchimento;
Síndrome de privação ou abstinência: a pessoa experiencia sintomas físicos e psíquicos de mal-estar, sofrimento, vazio e emoções perturbadoras quando fica privado do seu objecto de adicção, necessita da substância, relação ou actividade para se sentir que está a “funcionar normalmente”.
Perda de Controle sobre o comportamento: mantêm o mesmo comportamento apesar das consequências negativas e dos danos visíveis; não controla o impulso ou desejo intenso (Craving) para consumir ou actuar na sua adicção; a argumentação lógica, informação e o confronto com as consequências negativas para mostrar a “insanidade” do comportamento tornam-se insuficientes para a pessoa interromper o processo adicitivo;
Falham os esforços repetitivos para interromper o comportamento e quebrar o ciclo vicioso: ocorre um progressivo esvaziamento da força de vontade individual, aumento do isolamento, sentimentos de inadequação, resignação, baixa auto-estima, impotência, ansiedade e desespero;
Negação do problema, ambivalência e desresponsabilização: a pessoa nega, defende o seu comportamento, minimiza a gravidade, justifica, culpabiliza os outros ou circunstâncias pelo problema, ambivalência (por lado quer parar, mudar, por outro não….) adia a resolução do mesmo; o seu nível de consciência sobre o seu comportamento, seus efeitos, responsabilidade e meios para mudar é muito reduzido ou nulo.

O que pode acontecer se não interromper o processo adictivo?
Consequências negativas ao nível da saúde física e psíquica, na relação familiar, no desempenho pessoal, social, profissional e financeiro. Qualquer comportamento adictivo, pela sua natureza obsessiva e compulsiva, consome muito tempo e energia, que podiam ser gastos nos processos evolutivos normais e saudáveis; a pessoa perde oportunidades de crescimento e realização do seu potencial máximo. Tem sempre um custo pessoal, social, económico e espiritual!

Como começa e se desenvolve?
São vários os motivos que levam uma pessoa a usar substâncias psicoativas pela primeira vez ou recorrer a um determinado comportamento e actividade para obter prazer ou outro tipo de gratificação. Entre estes destacam-se a curiosidade, expressão de emancipação e criatividade, necessidade de aceitação, reconhecimento e afirmação, fascínio pelo risco ou acto ilegal, sensação de poder e invulnerabilidade, sensações de tranquilidade, relaxamento, preenchimento, alívio de stress, da ansiedade e outras emoções perturbadoras. Contudo, para que se transforme numa adicção é preciso a combinação dos seguintes factores:
1.  Pré-disposição genética ou susceptibilidade física e psíquica maior da pessoa para desenvolver comportamentos adictivos;
2. Persistência e repetição do comportamento e padrão de pensamento ao longo do tempo e sobre o qual a pessoa não tem consciência do seu potencial destrutivo;
3. Presença de reforços do meio familiar, social ou cultural que facilitam o acesso, modelam ou incentivam o desenvolvimento desse comportamento;
Na fase inicial do processo adictivo, o recurso ao objecto de adição funciona para a pessoa: proporciona-lhe bem-estar e é uma forma de dar resposta às suas necessidades; funciona e a pessoa repete! Mas à medida que se instala o padrão repetitivo e persistente, a pessoa não desenvolve outras formas saudáveis que satisfaçam as suas necessidades ou a ajudem a superar o mal-estar. Cria-se uma situação de desequilíbrio e de dependência. A partir de certa altura, o comportamento aditivo torna-se fonte exclusiva de prazer e alívio imediato, produz consequências negativas e torna-se o elemento limitador do processo de actualização e diversificação de experiências da pessoa.
 Já em estado de dependência, quando a pessoa experiencia sentimentos de vazio, perda de auto-estima, falta de sentido para a vida e sentimentos de culpa e revolta, quer pela perda de liberdade auto-infligida, quer pelos danos causados a outras pessoas significativas, tal experiência pode ser demasiado perturbadora. A pessoa reduz a sua consciência através de mecanismos de defesa, negando e minimizando a sua situação afirmando frequentemente: “não é tão grave assim…”; “eu controlo…paro quando quiser…”; “os outros também fazem…qual são o problema?”
Começam então as tentativas para controlar o comportamento; a pessoa afasta-se do objecto de adicção, tenta reduzir a frequência e sente a perda, “falta qualquer coisa”. Entra em estado de privação! Aqui a pessoa sofre o vazio, a ansiedade e em certas dependências surgem as perturbações físicas e psíquicas; o pensamento obsessivo produz o impulso para agir (voltar a estar com a pessoa, consumir, voltar a “ocupar” a mente, “desligar”, anestesiar, fantasiar…), para aliviar a tensão. Esta tensão é, por sua vez, é aumentada com a luta entre a força de vontade da pessoa que quer parar e outros mecanismos neurológicos e emocionais poderosos que forçam a repetição da experiência adictiva. É frequente verificar-se as adicções cruzadas ou substituição de adições, ou seja, de drogas para álcool, do álcool para o jogo ou comida, do trabalho para as relações ou sexo complusivo e vice –versa.
O princípio da mudança começa com a consciencialização e rendição. A pessoa reconhece e aceita que tem um problema e que precisa de ajuda; apesar de quer mudar não sabe como ou quando. Está dividida, a luta interna permanece, mas começa a dar uma oportunidade a si para procurar e aceitar ajuda, compreende que pela força de vontade isolada não consegue, começa a ter motivos fortes para mudar; ao aceitar apoio e ajuda começa a sentir que é capaz de superar; a aceitação da falência, das perdas e limitações requer humildade, a aceitação do facto de que está a lidar com mecanismos internos neurológicos e emocionais poderosos e que precisa de ajuda é um acto de rendição. Ao assumir para si próprio a sua derrota começa a ganhar! Com ajuda adequada e esperança começa o seu processo de recuperação.

Que tipo de ajuda existe?
Interromper um comportamento adictivo requer ajuda especializada:
Consultas de intervenção motivacional – têm como objectivo consciencializar a pessoa, ajudar a reconhecer a necessidade de mudança, motivar e orientar na procura de tratamento especializado ou apoios complementares;
Orientação e Intervenção familiar – são sessões que visam orientar a família em situações de crise, criar uma estratégia de intervenção para interromper o comportamento auto-destrutivo da pessoa em causa e encaminhar para serviços de apoio especializado;
Apoio na Recuperação e Prevenção de Recaídas – consultas individuais ou sessões de grupo que visam apoiar a recuperação da pessoa e regresso ao meio familiar, social e laboral, apoiando na gestão de stress, desenvolvimento de competências, antecipação de situações de risco e prevenção de recaídas.
Grupos de Entre-ajuda de 12 passos (Gratuitos): são grupos de encontro estruturados cujos participantes partilham o mesmo problema e o mesmo objectivo: recuperar de uma adicção! Identificam-se e oferecem entre si, suporte emocional e social, o conhecimento da experiência como estratégia de resolução. Em Portugal existem os seguintes grupos: Alcoólicos anónimos, narcóticos anónimos, co-dependentes anónimos, famílias anónimas, jogadores compulsivos
Centros de Tratamento e Reabilitação (Dependência de álcool e drogas): na dependência de álcool e drogas existem programas de Internamento de curta ou longa duração – a escolha de um tratamento de curta ou longa duração deverá seguir alguns critérios e indicações do diagnóstico médico:
 Internamento de longa duração com o mínimo de 3 meses estendendo-se a 2 anos, geralmente afastado do meio da pessoa, em espaços residenciais protegidos ou comunidades terapêuticas, indicado para os indivíduos que apresentam: problemas médicos sérios, ausência de estrutura familiar ou suporte social, problemas psiquiátricos associados, membros no agregado familiar com problemas de dependência de substâncias, resistência intensa ao tratamento;
Internamento de curta duração de 28 dias a 12 semanas com o complemento de apoio em ambulatório para a prevenção de recaídas, indicado para os indivíduos com uma história de dependência recente ou moderada, que ainda tenham uma estrutura e ambiente familiar relativamente seguros em relação ao uso de químicos, que estejam motivados para o tratamento e revelem, pelo menos, uma certa consciência do seu problema.

Tenho uma pessoa na família que precisa de ajuda, o que posso fazer?
Intervenção familiar! A intervenção familiar é um método poderoso e comprovado que quando conduzido eficazmente ajuda a interromper o ciclo vicioso da adicção e superar a situação de crise, ajudando a pessoa a reconhecer a necessidade de ajuda, orientá-la para tratamento ou outro tipo de ajuda; é um processo estruturado focado na solução que consiste em juntar um grupo de amigos, colegas, familiares e outras pessoas significativas da pessoa que sofre de adicção e que se juntam com o propósito único de apresentar e expressar com respeito, apreço e firmeza as suas preocupações e observações acerca do comportamento da pessoa. Existem passos a seguir para que a intervenção seja eficaz.

Sofri uma recaída, o que posso fazer?
A recaída é um fenómeno muito comum. A recuperação de um comportamento adictivo, envolve alterações no comportamento e no estilo de vida, é um processo gradual, profundamente pessoal, de mudança de atitudes, valores, sentimentos, objectivos, competências e papéis. A recaída é um sinal para identificar o que não está a funcionar e o que precisa de ser mudado. Não é fraqueza, nem derrota. Pode ser uma oportunidade de aprendizagem. O mais importante é sair da paralisação que a culpa, a vergonha ou a frustração possam criar; é pedir ajuda e identificar o que está a acontecer e que medidas precisa tomar.

Autor: Paula Serpa
Fontes:
Usos, Abusos e Dependências – Alccolismo e Toxicodependência. Coord. Borge, C. & Filho, H.(Ed. Climpesi)

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Crônica : Triz



Eu quase consegui abraçar alguém semana passada. Por um milésimo de segundo eu fechei os olhos e senti meu peito esvaziado de você. Foi realmente quase. Acho que estou andando pra frente. Ontem ri tanto no jantar, tanto que quase fui feliz de novo. Ouvi uma história muito engraçada sobre uma diretora de criação maluca que fez os funcionários irem trabalhar de pijama. Mas aí lembrei, no meio da minha gargalhada, como eu queria contar essa história para você. E fiquei triste de novo.
Hoje uma pessoa disse que está apaixonada por mim. Quem diria? Alguém gosta de mim. E o mais louco de tudo nem é isso. O mais louco de tudo é que eu também acho que gosto dele. Quase consigo me animar com essa história, mas me animar ou gostar de alguém me lembra você. E fico triste novamente.
Eu achei que quando passasse o tempo, eu achei que quando eu finalmente te visse tão livre, tão forte e tão indiferente, eu achei que quando eu sentisse o fim, eu achei que passaria. Não passa nunca, mas quase passa todos os dias.
Chorar deixou de ser uma necessidade e virou apenas uma iminência. Sofrer deixou de ser algo maior do que eu e passou a ser um pontinho ali, no mesmo lugar, incomodando a cada segundo, me lembrando o tempo todo que aquele pontinho é um resto, um quase não pontinho. Você, que já foi tudo e mais um pouco, é agora um quase. Um quase que não me deixa ser inteira em nada, plena em nada, tranqüila em nada, feliz em nada.
Todos os dias eu quase te ligo, eu quase consigo ser leve e te dizer: “Ei, não quer conhecer minha casa nova?” Eu quase consigo te tratar como nada. Mas aí quase desisto de tudo, quase ignoro tudo, quase consigo, sem nenhuma ansiedade, terminar o dia tendo a certeza de que é só mais um dia com um restinho de quase e que um restinho de quase, uma hora, se Deus quiser, vira nada. Mas não vira nada nunca.
Eu quase consegui te amar exatamente como você era, quase. E é justamente por eu nunca ter sido inteira pra você que meu fim de amor também não consegue ser inteiro.
Eu quase não te amo mais, eu quase não te odeio, eu quase não odeio aquela foto com aquelas garotas, eu quase não morro com a sua presença, eu quase não escrevo esse texto.
O problema é que todo o resto de mim que sobra, tirando o que quase sou, não sei quem é.

Tati Bernardi




sábado, 25 de fevereiro de 2012

Paracetamol pode curar coração despedaçado


Segundo uma publicação no jornal Daily Mail, o Paracetamol (medicamente usado para aliviar dores) também é capaz de sarar um coração “despedaçado”. De acordo com o informativo, neurocientistas descobriram que as dores emocionais e físicas são processadas em uma mesma região do cérebro.
Dessa forma, ao tomar um analgésico, a pessoa pode aliviar sentimentos que a estejam incomodando. A experiência que provou essa hipótese foi realizada ao longo de três semanas na Universidade da Califórnia, nos EUA. Nela, 62 pessoas foram orientadas a tomar Tylenol ou um placebo e depois anotar como se sentiam.
O estudo descobriu que aqueles que tomaram 1.000 mg do analgésico (cerca de dois comprimidos) tiveram uma redução considerável dos “sentimentos feridos”. Em outro teste, os participantes utilizaram um jogo de computador que foi desenvolvido para que eles se sentissem rejeitados.
O resultado mostrou que o grupo de pessoas que fez uso do analgésico apresentou menor atividade em relação à dor em seus cérebros do que os participantes que tomaram o placebo.



(http://www.tecmundo.com.br/saude/19813-paracetamol-pode-curar-coracao-despedacado.htm)

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Um inimigo com várias faces


Acessos de pânico, comportamentos compulsivos e fobias são algumas expressões da ansiedade – um transtorno que pode ser curado.

Ser mais ou menos ansioso é um traço relativamente estável de personalidade que se reflete na percepção de situações como perigosas ou ameaçadoras. O estado de ansiedade propriamente dito, entretanto, pode ser considerado um momento de ruptura que causa enorme desconforto. Tensão, apreensão e inquietude dominam todos os outros aspectos da personalidade e desencadeiam (ou são desencadeados) por manifestações orgânicas – provocadas pela ativação do sistema nervoso autônomo – que vão da aceleração do batimento cardíaco ao suor intenso, da respiração arquejante à repetição de gestos estereotipados.
Os transtornos de ansiedade, embora associados à presença de estados de tensão, assumem diversas formas. O reconhecimento de uma matriz comum a todos eles é uma aquisição relativamente recente da ciência. O transtorno de ansiedade pode se manifestar como súbito ataque de pânico, como fobia simples (na qual se sente que a ameaça provém de estímulos bem específicos), ou ainda como fobia social (provocada quando esquemas cognitivos “mal calibrados” percebem ameaças potenciais em situações sociais banais).
Há também o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), no qual a mente é invadida por pensamentos incômodos que são exorcizados com rituais repetitivos. Pelo menos na adolescência, quase todos passamos por um período em que cultivamos pequenos rituais que ajudam a aliviar estados de ansiedade. Não são poucas as pessoas que, antes de sair de casa, têm o hábito de verificar, repetidamente, se a porta está trancada. Em geral, tudo termina aí. Mas, para quem sofre de TOC, estas atividades podem, literalmente, consumir o tempo, exigindo uma ou mais horas do dia para ser executadas, tornando as ações cotidianas mais banais extenuantes.
Esses comportamentos rituais ou compulsões são respostas destinadas a aliviar um estado de ansiedade que se manifesta por meio de ideias obsessivas e pensamentos perturbadores, dos quais a pessoa não consegue se livrar. A gama de elucubrações pode ser muito vasta, indo desde a idéia de ser infectado por bactérias que parecem estar por todo lado até a presença constante de imagens ou cenas consideradas repugnantes ou o receio de fazer mal a pessoas queridas.
Racionalmente, o paciente sabe bem que os rituais que emprega – como lavar continuamente as mãos, contar determinada série de números ou dispor os objetos segundo uma simetria particular – não têm nenhum significado, salvo o de proporcionar uma pausa momentânea na ansiedade que o incomoda.
Outra face dos transtornos de ansiedade se manifesta na fobia social, na qual a permanente impressão de ser observado e julgado muitas vezes leva a uma paralisia. Em certo sentido, pessoas que sofrem dessa fobia são incapazes de “esquecer o próprio medo” para inserir-se na situação social em que estão naquele momento.
Por vezes esse estado só se manifesta em situações específicas – como falar em público, comer, escrever ou telefonar na presença de muita gente. Em alguns pacientes, porém, os sintomas surgem até mesmo quando é reduzido o número de pessoas à sua volta. A perspectiva de enfrentar uma das situações tão temidas provoca um forte estado de apreensão dias antes. Não é raro que o sociofóbico manifeste sua ansiedade fisicamente, enrubescendo, suando ou tremendo, algo que o faz se sentir, ainda mais, como alvo de possíveis críticas. Deflagra-se então uma espiral de desconforto, sensação que persiste mesmo após a situação crítica, alimentada por pensamentos de autodepreciação e receio da opinião alheia. A fobia social pode interferir nas atividades escolares, profissionais e na capacidade de fazer e manter amizades.
Um caso particular é o transtorno de ansiedade generalizada (TAG). Além de apresentar graus de intensidade – do mais leve, em que é difícil distingui-lo dos traços de personalidade, até o mais preocupante – está, muitas vezes, associado a outras formas de ansiedade e, sobretudo, à depressão maior. Para pacientes com TAG, qualquer problema (seja mal-estar físico, dificuldade no trabalho ou discussão familiar) pode ser motivo para a antecipação de situações catastróficas.
Em casos mais graves, ao levantar de manhã, a pessoa fica ansiosa só de pensar nas atividades cotidianas que deverá enfrentar. A ansiedade manifesta-se também fisicamente, por meio de cansaço, cefaléia, tensões e dores musculares, dificuldade de digestão, tremores, convulsões, irritabilidade, suor e acessos de calor. Em muitas ocasiões, o paciente percebe a desproporção entre a realidade da situação e o nível de ansiedade, mas essa consciência racional não consegue dissolver os temores que ocupam a mente. A incapacidade de relaxar repercute na força de concentração, perturbada pela constante intrusão de sentimentos de ansiedade, e na possibilidade de ter um sono tranqüilo.
Pessoas que sofrem de TAG, diferentemente das que têm outros tipos de ansiedade, não evitam situações específicas. Se o transtorno não assumir formas graves, não interferirá na capacidade de integração social e na atividade profissional. Por isso, a importância dessa forma de ansiedade foi por muito tempo subestimada. Atualmente, porém, o problema recebe maior atenção, seja porque se apresenta, com freqüência, associado à depressão maior ou porque o acúmulo da experiência clínica revelou que, nas formas mais intensas, até mesmo a execução das atividades cotidianas mais banais pode se tornar algo extremamente penoso. Diversos estudos confirmaram a existência de duas dimensões psicopatológicas independentes, uma caracterizada pelo medo, temor, preocupação e angústia, e outra pela tristeza, humor deprimido e sentimento de culpa. Desse ponto, ambas as manifestações estão presentes em todas as pessoas com transtornos depressivos ou com TAG, mas uma delas pode predominar.

(Por Gianbruno Guerrerio http://www2.uol.com.br)

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

ESTRESSE PÓS-TRAUMÁTICO


O ESTRESSE PÓS-TRAUMÁTICO é uma das manifestações dos transtornos de ansiedade. Ocorre em consequência de um evento traumático, fortemente ameaçador. O evento pode ter acontecido com a pessoa ou ela pode ter sido apenas testemunha. 
A característica principal do estresse pós-traumático consiste em um tipo muito forte de recordação - chamado revivenscência. Não se trata apenas de memória do acontecido, mas a sensação de estar revivendo novamente a tragédia e todo o sofrimento original. Assim, a pessoa revive tanto a memória do acontecido quanto as sensações de angústia e sofrimento físico da situação traumática.
Um trauma não é necessariamente um acidente ou situação de ameaça, como morte, estupro ou sequestro. Por definição, trauma é qualquer evento que deixe sequelas de sofrimento psíquico recorrente, acompanhado das alteraçãoes/mal-estar corporal quando há a revivescência.
Há eventos considerados pouco graves, como um acidente de trânsito sem vítimas. Apesar da aparente pouca gravidade, este acontecimento pode levar uma pessoa a apresentar os sintomas do stress pós-traumático. Até mesmo um susto forte no trânsito, para alguém que está aprendendo a dirigir, tem o potencial para deixar sequelas relacionadas ao stress pós-traumático.
Na situação potencialmente traumática, a pessoa apresenta imediatamente após o evento reação forte de medo, desamparo ou desesperança. Depois disso, passa a ter recordações vívidas, intrusivas (involuntárias e abruptas) do acontecido, como “flashbacks”. Revive-se o acontecido, o que foi pensado e sentido, que causam sofrimento intenso. São também comuns pesadelos sobre o fato. Outros sintomas são insônia, irritabilidade, respostas autonômicas exageradas e até mesmo dificuldade de concentração/memória.
A pessoa passa então a evitar tudo o que tenha relação com este trauma: assuntos, lugares, pessoas, conversas, objetos e sensações.
Para diagnóstico de estresse pós-traumático, estes sintomas devem estar presentes por pelo menos um mês. Se o tempo for menor que um mês, não significa que a pessoa não teve nada, apenas que o rótulo diagnóstico não é adequado.
O Transtorno de Estresse Pós-Traumático é como uma cicatriz no funcionamento psicológico, que ocorre quando as capacidades de enfrentamento são menores que a pressão decorrente do evento potencialmente traumático ou quando este é forte demais. Pessoas com problemas anteriores de ansiedade, medos, insegurança ou auto-estima rebaixada são mais suscetíveis a apresentarem estresse pós-traumático.

(http://www.dirigindosemmedo.com.br/stresspostraumatico.html)

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Crônica : Hoje eu chorei com o caminhão de gás



A primeira coisa que eu vi quando abri os olhos foi a minha cachorrinha me espiando triste do corredor, eram quatro da manhã e eu já sabia que não iria dormir mais. Meu sono é interrompido de duas em duas horas por um pânico horrível que paralisa meus órgãos e só deixa viva a bile que toma todo o meu corpo e me faz querer vomitar até virar do avesso. Eu arregalo os olhos para o teto, fecho minhas mãos com uma força que quase faz com que minhas unhas cortem minhas palmas e deixo a onda da dor vir, ela me sacode inteira, me joga numa profundidade sem som e me afoga por completo. Abro as janelas porque preciso de ar, mas nunca tem ar para meu pulmão afogado. Coloco o santinho que meu avô me deu no peito e peço a ele: você já morreu por amor, não deixe acontecer o mesmo comigo. Amar dói tanto que você volta a lembrar que existe algo maior, você se lembra de Deus, você se lembra de vida após a morte. Amar dói tanto que você fica humilde e olha de verdade para o mundo, mas ao mesmo tempo fica gigante e sente a dor da humanidade inteira. Amar dói tanto que não dói mais, como toda dor que de tão insuportável produz anestesia própria. Você apela pra todo e qualquer santo, pra cartomante, pra ex-namorado, pra tarólogo, astrólogo, psicólogo, numerólogo, amigo e apela até pra inimigo. Qualquer um, pelo amor de Deus, tire essa dor de mim. Não adianta, não vou dormir mais. Mas vou fazer o que então? Minha cama me lembra você, minha cachorra me lembra você, beber água me lembra você, viver me lembra você. Vou me levantar agora e ir para onde? Tomar banho? Tomar café? Não tenho nenhuma vontade de existência, seja de vaidade ou gula. Só quero ficar deitada, mas ficar deitada também dói. O mundo não tem posição confortável pra mim, aonde vou, essa merda de dor horrível vai junto. Chorar não adianta, eu seco de tanto chorar e não passa. Ver TV, falar ao telefone, dançar, gritar, escrever, abraçar minha mãe, tomar suco de manga… nada adianta. Eu sei, eu sei, o eterno clichê “isso passa”. Passa sim e, quando passar, algo muito mais triste vai acontecer: eu não vou mais te amar. É triste saber que um dia vou ver você passar e não sentir cada milímetro do meu corpo arder e enjoar. É triste saber que um dia vou ouvir sua voz ou olhar seu rosto e o resto do mundo não vai desaparecer. O fim do amor é ainda mais triste do que o nosso fim. Meu amor está cansado, surrado, ele quer me deixar para renascer depois, lindo e puro, em outro canto, mas eu não quero outro canto, eu quero insistir no nosso canto. Eu me agarro à beiradinha do meu amor, eu imploro pra que ele fique, ainda que doa mais do que cabe em mim, eu imploro pra que pelo menos esse amor que eu sinto por você não me deixe, pelo menos ele, ainda que insuportável, não desista. Minha cachorra pede um biscoitinho, aí eu choro porque eu lembro que você adorava dar biscoitinho para ela. Está sol, e eu choro porque você ficava feliz com o sol e você feliz era tão perfeito que eu tinha medo. Aí eu vou escovar meus dentes e choro porque você tirava sarro da minha escova elétrica, depois eu faço xixi e choro porque a gente tinha liberado o xixi de portas abertas. Eu abro o guarda-roupas e choro porque eu não quero ficar bonita, eu não quero dar a volta por cima, eu não quero ficar bem pra você ver que eu estou bem e quem sabe ter saudades. Choro porque acho ridículo os jogos da vida, qualquer coisa é ridícula perto desse amor que é tão simples e óbvio. Quando finalmente eu consigo me arrumar em meio a esse rio de lágrimas, eu choro porque o caminhão do gás passou e aquela musiquinha idiota, mais algumas crianças berrando na quadra lá embaixo e mais dois passarinhos cantando na minha janela, me lembram que a rotina, a alegria e a pureza ainda existem, apesar de você não estar mais aqui. Nada, nada aconteceu para o mundo. E eu me sinto minúscula e sozinha por não ter a cumplicidade da vida lá fora, por não ter um minuto de silêncio pela nossa morte, por ter que sentir tudo isso sozinha, entre escovas de dentes, xixis e roupas dobradas e cheirosas. Odeio a ordem de tudo, odeio a funcionalidade de tudo, odeio que a TV ligue, que o telefone toque, que meu estômago peça comida, que japonesas riam fora de hora, que meu carro corra, que a bola quique duas vezes antes e, principalmente, que você, não muito longe daqui, sorria. Dirijo até meu trabalho sem nada dentro de mim a não ser um monstro parasita que se alimenta do meu desespero, nenhum farelo de comida. Meu lado da frente está quase colando ao de trás, talvez na falta de você eu precise mesmo me juntar mais a mim mesma. Minha mesa está lá, meu lixo está lá, minha cadeira, a menina grande que fala igual a um homem, a gordinha solícita que não pára de me olhar até que eu olhe para ela, sorria e diga bom dia. Está tudo lá, mas você, mais uma vez, não está aqui. Vou para o banheiro e choro, que novidade? Mas dessa vez porque me olho no espelho, e isso também me lembra você. Eu era sua, a sua menina, a sua criança, a sua mulher, a sua escritora predileta, a sua parceira de dar risada de programas estúpidos que passam de madrugada na TV, a sua namorada sensível que tinha medo de vomitar e de amar demais, assim como você. A sua melhor amiga pra sentar num banco de praça e falar mal de todo mundo, pra perder um trem na Itália e ainda por cima sentar num chiclete fresco ou pra cuidar do nosso porquinho de pelúcia. Eu era a mulher que encaixava a cabeça nas suas costas e sabia que tinha nascido a partir de você, eu era a mulher que esperava sofridamente você voltar mas nunca deixou de te amar mesmo quando você ia. Todo mundo me fala que eu preciso ser minha, inclusive pra ser sua, mas eu não deixo de olhar para o espelho e ver uma metade de gente, uma metade de sonho, de sexo, de alegria e de futuro. Que se foda a auto-ajuda, que se fodam os livros com homens carecas, que se foda o terceiro olho (do cu?) e que se foda a psicologia: eu sou mesmo metade sem você e que se foda! Se antes de você aparecer eu já te amava, eu já te esperava, eu já sabia que você existia, como eu posso não te amar agora que você tem forma, sorriso, coração e nome?


Por: Tati Bernardi

Estupro


Uma pessoa que foi vítima de abuso sexual leva consigo insegurança, culpa, depressão, problemas sexuais e de relacionamento íntimo, baixa auto-estima, vergonha, fobias, tristeza, desmotivação, síndrome do pânico e, além disso, podem ocorrer tendências suicidas.
A psicóloga Olga Tessari explica que a vítima se torna estigmatizada, com uma tendência social de acusá-la direta ou indiretamente por ter provocado ou estimulado o ato. Dessa forma, ela pode se considerar "impura" ou "indigna" por pensar que, de algum jeito, colaborou com o ocorrido. "Por mais que digam que ela não teve culpa, a pessoa estuprada culpa-se", diz.
A mulher tende a imaginar que ninguém vai aceitar o que aconteceu e que o parceiro pode rejeitá-la por ter sido estuprada. Os traumas chegam a acarretar fadiga inexplicável, transtorno de apetite, insônia e falta de atenção.
A coordenadora do curso de psicologia do Centro Universitário Adventista de São Paulo - UNASP, Tercia Pepe Barbalho, conta que, durante o estupro, o corpo da mulher pode produzir as secreções responsáveis pela lubrificação e até mesmo uma estranha excitação. O fato não acontece sempre, mas, quando ocorre, pode levar a pessoa a sentir ainda mais culpa. É importante ressaltar que se trata de uma defesa do organismo e não significa que houve de fato o prazer ou consentimento.
Logo vem o medo de não conseguir se relacionar com o sexo oposto ou aquele causador da violência e a desconfiança exagerada de tudo, além do isolamento. Todos esses traumas podem gerar problemas físicos como anorgasmia (falta de orgasmo), frigidez, falta de libido e fobia. Para atingir o prazer, a pessoa precisa estar completamente relaxada e, após um estupro, ela não consegue o feito, já que se lembra da cena do abuso durante a relação.
A psicóloga e perita Ester Esquenazi explica que a vítima tende a negar qualquer tipo de sentimento e prazer para que sofra menos e acaba se tornando insensível aos vínculos que possam trazer deleite. Por esse motivo, inclusive, a insensibilidade dos órgãos genitais se torna uma forma de defesa. Enfermidades como asma, epilepsia, diabetes, artrite, hipertensão e doenças coronarianas aumentam e fogem do controle nas situações de agressão sexual.
O alto nível de ansiedade decorrente do abuso pode trazer problemas como obesidade, anorexia, alergias, problemas do trato digestivo, taquicardia, tontura, falta de ar, uso de bebida, cigarro e drogas. De acordo com a psicóloga Silvana Peres, bissexualidade, homossexualidade, introversão e até problemas de pele fazem parte da lista.
Cada pessoa absorve o trauma de uma forma diferente, de acordo com a experiência de vida, valores e crenças. No geral, o primeiro passo do tratamento terapêutico é conscientizar o paciente de que ele não teve culpa no ocorrido, utilizando técnicas para reerguer a auto-estima. Dependendo da pessoa, é sugerido um trabalho em conjunto com a família. Devido à intensidade do trauma, em alguns casos, é preciso que um médico receite medicamentos que variam de pessoa para pessoa.
Algumas mulheres superam o problema sozinhas. De qualquer forma, na maioria da vezes, a pessoa simplesmente oculta a questão para si mesma, não resolvendo, mas apenas escondendo. O profissional não deve tratar a pessoa com sentimentos de pena, para que ela não se sinta vítima para sempre.
Caso a mulher tenha engravidado, tem a possibilidade, por lei, de abortar a criança. Nesse ponto, questionamentos vêm a tona, como o momento certo para gerar um filho ou não, sentir-se preparada para isso, saber se vale a pena ter uma criança que é fruto de um momento tão indesejado e, ao mesmo tempo, perguntar-se se deve interromper a gravidez, de acordo com a religião e valores que carrega.
"Se a pessoa não resolver estes conflitos, certamente o filho será indesejado e sofrerá muito com os maus tratos dessa mãe que verá nele, a todo o momento, o fruto de um trauma que a fez sofrer e que a mantém em sofrimento", afirma Olga.
É o que acontece com *Helena. A técnica de enfermagem sofreu de abuso sexual há 22 anos e até hoje vive sob o mesmo teto do agressor: o marido, que não foi denunciado por medo. Como fruto do estupro ela teve uma filha, com quem se esforça para manter uma boa relação, engordou, se tornou ansiosa, nervosa, perdeu o emprego e não consegue ter amigos, porque o esposo pode não gostar.
"Aconteceu na volta de uma viagem à casa de meus pais. Ia passar 20 dias fora, mas acabei ficando uma semana a mais. Quando cheguei, com meu filho pequeno, ele pegou o bebê, jogou num canto e me atacou dizendo que queria saber se eu estava com outro na viagem e por isso demorei em voltar. Eu avisei para ele que não podia ser daquele jeito, senão iria ficar grávida e não tínhamos condições de ter outro filho ainda. Ele disse que se eu estivesse grávida o filho não era dele e queria a prova de que eu tinha ficado 30 dias sem ninguém. Por isso, me estuprou. Passei a ter medo dele. Tive uma filha e odiava aquela criança. Nunca nos demos bem. Vi-me várias vezes dizer coisas terríveis para ela. Depois me arrependia", conta.
Ester lembra que há alguns casos de estupro que foram tão traumáticos, que não puderam ser superados de forma alguma. "Posso dar um exemplo, onde uma mulher foi estuprada por sete homens e, apesar de todo amparo, ela não agüentou o sentimento de ser usada e acabou se atirando no metrô, causando morte imediata. Nos casos onde a recuperação é inatingível, o suicídio é a opção que eles encontram", diz.
Para ir esquecendo ou amenizando os efeitos do acontecido, a vítima deve, aos poucos, permitir o diálogo sobre o fato. A ajuda do psicólogo é importante para extravasar sentimentos como raiva, repulsa, dor, nojo e vergonha.
(http://www.olgatessari.com)

Tirinha


terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Relacionamentos maduros



Sua amiga telefona avisando que, depois de uma longa estiagem, voltou a chover na sua horta: está namorando. Quem? Quem, você pergunta curiosa.
Descobre que ele se chama Mateus, um cara sensacional que não sente um pingo de ciúmes dela, que a incentiva a sair sozinha com as amigas e que acredita que a independência é o elixir da felicidade. Enfim, um relacionamento maduro.
Você então deseja que eles sejam felizes, que amem-se muito, que sigam preservando sua individualidade e que a relação progrida dentro desse clima de respeito e confiança. Ao desligar, se sente a mais infantil das criaturas.
Momentos antes de falar com sua amiga, você estava à beira de um ataque de nervos porque seu namorado disse que não iria passar na sua casa, estava exausto. O que isto significa? Num relacionamento maduro, significa que ele está mesmo exausto e que os dois podem muito bem ficar sem se verem uma noite. Mas para ela, é a prova de que ele não a ama  mais, que está desinteressado, ou armando alguma. Você é assim: sofre por ficar cinco minutos longe de quem gosta. Você não está preparada para um relacionamento maduro.
Em relacionamentos maduros, cada um reivindica o seu espaço. Em relacionamentos maduros, o esquecimento de uma data importante não é motivo para briga, elogiar a beldade que entrou no restaurante é uma coisa natural e conviver com ex-namorados é civilizado. Em relacionamentos maduros, ninguém inspeciona colarinhos, fiscaliza a agenda alheia ou fica ouvindo conversas na extensão. No planeta dos maduros não se atiram vasos contra a parede.
Imagine se soubessem que você entra em surto cada vez que seu namorado cumprimenta uma fulana da época do primário, que não descansa enquanto ele não diz onde esteve e com quem, que se sente incomodada até quando ele tira uma prima pra dançar. O que pensariam se soubessem que você desconfia quando liga para o escritório e ele não está, que você costuma dar uma geral no porta-luvas do carro em busca das provas de uma suposta traição e que bisbilhota o canhoto do talão de cheques dele? Que diriam se soubessem que você adora que ele proíba seus decotes e que já o procurou no Instituto Médico Legal por causa de um atraso de 25 minutos?
Relacionamentos maduros. Podem não ser animados, mas dão muito menos trabalho.
(Martha Medeiros)

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...