Amar Demais... Um Erro!

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domingo, 23 de outubro de 2011

Solidão

Nunca tivemos tanta facilidade de comunicação e ao mesmo tempo tanto isolamento como temos hoje. Se a internet nos permite uma rápida ligação com as pessoas e nos favorece tanto a amplitude nos contatos, por que será que as pessoas se sentem cada vez mais isoladas?
As salas de “bate papo” na internet são exatamente um atrativo para as pessoas solitárias, sempre em busca de alguém com quem se possa gastar tempo, sem comprometer a privacidade de cada um.
Por que esse tipo de contato é tão procurado? É uma maneira de envolver-se parcialmente, de esconder-se.
É uma alternativa de um contato sem compromisso, uma falsa aproximação, onde faço apenas um contato superficial, sem envolvimento real.
São vários os fatores que parecem empurrar uma pessoa em direção aos relacionamentos “internéticos”, indicando que talvez esse comportamento não seja uma escolha, mas sim uma imposição.
Um dos fatores é o medo. O contato direto tornou-se perigoso. Quem é a pessoa que se aproxima e com que intenção? Como disse uma senhora de alta posição social e financeira: “Não tenho amigos porque sei que as pessoas se aproximam por interesse. Em algum momento sei que vão pedir alguma coisa. Já vi isso inúmeras vezes e sempre pode acontecer de novo.
Um segundo fator é a competição nos vários setores.
O outro é aquele que compete comigo no trabalho, no curso, na própria família, no sexo. O outro, ou outra pode chamar mais a atenção do que eu. Assim, é preciso manter a distância e a privacidade.
O afastamento um dos outros, na verdade foi um processo bem lento. Nas cidades do interior, por exemplo, antes da TV, as pessoas levavam as cadeiras para as calçadas à noite, e ali ficavam conversando com os que passavam. Com o surgimento da TV, as pessoas começaram a se recolher, absortas com as programações, e automaticamente mergulhando nesse afastamento sem perceberem.
Outro ponto é decorrente também da competição que se estabeleceu: a necessidade da informação. Essa necessidade “encurtou” nosso tempo, pois minha competência ancora-se no meu preparo, no meu saber. Esse preparo é passado aos filhos, que também correm atrás do tempo.
Portanto, corremos com eles e por eles.
A falta de tempo hospedou-se na vida de cada um de tal forma que a convivência tornou-se raridade e o isolamento estabeleceu-se de uma forma inflexível e até irreversível.
Sem perceber, o ser humano adoeceu no isolamento, mas nem por isso mudou internamente. Continua carente de convívio e de relacionamentos profundos.
Ter amigos e conviver profundamente é receita terapêutica para nossa saúde emocional.
Você ainda acha que a solidão é uma escolha?
(http://artigosdepsicologia.wordpress.com)

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Como preencher o vazio?


Às vezes, sentimos um grande vazio dentro da gente. Então vamos atrás de coisas para preenchê-lo. Saímos por aí a comprar, roupas, sapatos, acessórios, móveis, qualquer coisa que, decidimos que nos faz muita falta, mesmo que estejamos com o armário e a casa cheios de tudo isso.
Daí, chegamos em casa, cheias de compras e inicialmente, a sensação é de saciedade. Mas, logo depois o vazio se manifesta novamente. Então vamos ao cabelereiro! Cortamos e pintamos o cabelo, fazemos mãos e pés, depilação, etc, etc, etc. Depois de um tempinho, lá está ele novamente e, parece que é maior do que era antes.
O que fazer? Como preencher este vazio? Com certeza, não será com nada de fora para dentro, pois ele é interno. É algo dentro da gente gritando, dizendo que alguma coisa não está bem! Não pode ser resolvido com falsas soluções vindas de fora. É preciso olhar pra dentro, parar tudo, silenciar e procurar sentir-se, ouvir-se, para ver o que está causando essa sensação. Carência, decepção, frustração, solidão, falta de objetivo, de motivação, são sentimentos que ajudam a aumentar o vazio, tornando-o cada vez maior.
Inicialmente, parece que precisamos preenchê-lo de fora pra dentro, que outra pessoa ou objeto, poderá resolver a questão. Se eu tivesse alguém, se essa pessoa me amasse, fizesse tudo que eu quero e do jeito que eu quero, me cercasse de toda atenção e cuidados, então eu não me sentiria assim. Se tivesse o emprego dos sonhos, realizando o que eu realmente gosto e tivesse um retorno financeiro muito compensador, então não me sentiria assim. Se a vida fosse sem problemas, sem desafios, sem tristeza, sem medos, então não me sentiria assim. E por aí vai a lista de soluções aparentes que encontramos.
Na realidade, poderíamos ter tudo isso, e ainda sentir o vazio. Por que? É que, volto a dizer, ele é interno.
Amarmos a nós mesmos primeiramente, nos aceitando como somos, percebendo nossos defeitos, mas as qualidades também. A maioria das pessoas, percebe muito mais as coisas erradas do que as certas em si.
Descobrindo quem somos, como somos, o que nos faz bem, o que nos faz felizes, o que queremos pra nossa vida e, nos proporcionando isso. Fazendo primeiramente por nós, para nós. Procurar ser uma pessoa por inteiro, completa, que não precisa de outra pessoa ou objeto, para sentir-se inteira. Manter uma conexão com o espiritual, com Deus, ou seja lá que nome damos a esta força superior, cultivar e reforçar sempre a fé.
Ter pessoas importantes, que amamos, ao nosso lado, claro que é importante! Ter um trabalho que nos dá prazer é também algo importante. Claro que isso nos faz bem e torna o dia a dia mais feliz! Mas não pode ser o fundamental, não pode ser mais importante do que estarmos bem conosco mesmos, em paz, equilibrados e tranqüilos. Tudo que fazemos pensando apenas no retorno financeiro, sem nos preocuparmos se é o que realmente gostamos de fazer, fica sem graça. O importante é seguir o propósito da nossa alma, daí a recompensa será sempre maior.
Precisamos ter um objetivo que nos faça seguir adiante, que nos motive a olhar cada dia, como um novo tempo cheio de possibilidades. Acreditar em nós mesmos, saber que há uma força maior que nos guia, basta ouvi-la, deixar que esta força venha à tona e, nos mostre o caminho.
Desta forma, lentamente vamos preenchendo o vazio e nos sentindo completos, repletos de luz, força, amor e paz. Capazes de fazer qualquer coisa por nós, pelo próximo e pelo planeta no qual vivemos.
(Por Claudete Loth - http://www.stum.com.br/clube/artigos.asp?id=26330)

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Solidão Crônica


O isolamento social aumenta o risco de morte tanto quanto o cigarro, e mais do que o sedentarismo ou a obesidade.
A relação entre vida solitária, doenças cardiovasculares, depressão e incidência de infecções foi demonstrada em mais de 100 estudos epidemiológicos publicados a partir dos anos 1980. Esses estudos, no entanto, não explicam os mecanismos através dos quais o isolamento aumenta a mortalidade.
Nos últimos 10 anos, os efeitos biológicos da solidão se tornaram mais conhecidos graças ao trabalho inovador de um grupo da Universidade de Chicago, dirigido por John Cacciopo. Por meio de questionários para avaliar o grau de isolamento social dos participantes, de testes psicológicos e de exames laboratoriais, o grupo de Chicago concluiu que, embora episódios passageiros de solidão sejam inevitáveis e desprovidos de repercussões orgânicas relevantes, quando o isolamento persiste de forma crônica suas consequências se tornam especialmente nocivas.
Algumas pessoas que vivem isoladas não se sentem solitárias, enquanto outras têm a sensação de estar sozinhas apesar da vida social intensa. A percepção subjetiva da solidão é mais importante para o bem-estar individual do que qualquer medida objetiva do número de interações sociais.
Numa escala criada para avaliar o grau de isolamento pessoal, aqueles com escore mais alto apresentam alterações bioquímicas sugestivas de que seus dias são conturbados. Neles, por exemplo, estão elevadas as concentrações urinárias de cortisol e epinefrina, moléculas associadas aos níveis de estresse.
Esse dado ajuda a explicar por que os solitários crônicos ficam estressados diante de situações que outros enfrentam com naturalidade, como falar em público ou conversar com desconhecidos.
Na evolução de nossa espécie, a ansiedade provocada pela solidão funcionou como sinal de alerta para que o indivíduo procurasse a proteção do grupo. Num mundo povoado por predadores, que chance de sobrevivência teria um animal fraco como nós perambulando sozinho?
Nesse sentido, o sofrimento que a solidão traz é faca de dois gumes: de um lado, colabora para a adaptação ao meio, porque favorece o agrupamento; de outro, prejudica o organismo quando se torna crônico.
O grupo de Chicago investigou as repercussões imunológicas do isolamento prolongado. Nos solitários estão mais ativos os genes que promovem inflamação, enquanto aqueles envolvidos na resposta imune contra os vírus exibem atividade diminuída. Por essa razão, eles apresentam maior susceptibilidade às infecções virais (da gripe ao HIV) e à doença cardiovascular, enfermidade associada aos processos inflamatórios.
A solidão crônica interfere com a qualidade do sono, é causa de fadiga e reduz a sensação de prazer associada a atividades recreativas. Para agravar o isolamento, os já solitários tendem a reagir negativamente aos estímulos e a desenvolver impressões depreciativas a respeito das pessoas com as quais interagem.
A avaliação das funções cerebrais por meio de ressonância magnética funcional mostra que a solidão crônica afeta o córtex pré-frontal, área localizada na parte da frente do cérebro, crucial para a tomada de decisões racionais, como as de planejar o melhor caminho para o trabalho ou a hora de ir ao banco.
O comprometimento do córtex pré-frontal ajuda a entender por que as pessoas que se sentem isoladas correm mais risco de comer mal, fumar, abusar do álcool, ganhar peso e levar vida sedentária.
Estudos com irmãos gêmeos revelam que a solidão crônica não depende exclusivamente das características do meio, mas apresenta aspectos hereditários. É como se existisse um “termostato genético” para a capacidade de lidar com a solidão, ajustado em níveis diferentes em cada um de nós. Isso não quer dizer que nossos genes nos condenariam à vida solitária, mas que estão por trás da intensidade da dor sentida quando estamos sós.
Com o celular e a internet criamos possibilidades ilimitadas de interações sociais; num único dia, podemos entrar em contato com um número de pessoas que nossos antepassados levariam anos para conhecer. Contraditoriamente, o contingente dos que se queixam da falta de alguém com quem compartilhar sentimentos íntimos aumenta em todos os países.
(http://www.drauziovarella.com.br) 

terça-feira, 24 de maio de 2011

Solidão a Dois

A comunicação entre as pessoas é um dos exercícios mais freqüentes, indispensáveis e, no entanto, frustrantes do cotidiano. Nem sempre o que se diz é o que de fato se sente. Romances têm início, e também terminam, com base em equívocos, em erros de avaliação, em expressões e ações subjetivas, mesmo que pretendamos lhes dar a maior objetividade possível, ao tentarmos comunicar nossos pensamentos, emoções ou sentimentos.
Até os gestos mais espontâneos, inocentes e que não escondam nenhuma segunda intenção, correm o risco de serem mal-interpretados e nos trazerem aborrecimentos, não somente nos relacionamentos amorosos, mas no dia-a-dia. Palavras, por sua vez, são ambíguas, com sentidos muitas vezes bastante vagos, quando não opostos aos que pretendemos lhes emprestar, e mais complicam do que favorecem a genuína comunicação.
Quantas vezes, por exemplo, um elogio é interpretado como galhofa pelo nosso (ou pela nossa) interlocutor (ou interlocutora), gerando tensões, conflitos, rompimentos, quando não coisa pior! E a recíproca, claro, é verdadeira. Por isso, esse ato supremo de racionalidade é o que mais me fascina e foi o que determinou, inclusive, o meu rumo na vida, a minha atividade à qual dedico 24 horas por dia, a minha paixão e a minha profissão.
Escrevi, recentemente, uma crônica, em que tentei demonstrar o acerto do escritor francês André Malraux, que disse que integramos o que pode ser denominado de “a civilização da solidão”. Não, é claro, no sentido em que o termo é usualmente compreendido, ou seja, da falta de companhia, mas num outro mais profundo, intrínseco, espiritual: o de não sermos entendidos em nossas palavras, ações e, notadamente, intenções pelos que nos cercam ou que convivem conosco.
Creio que não há quem nunca não tenha se sentido só, absoluta e irremediavelmente só, mesmo caminhando em uma rua apinhada de gente de alguma gigantesca metrópole, ou num teatro superlotado, durante um show de música popular, ou num estádio de futebol, em dia de grande clássico ou em tantos outros lugares, caracterizados pelo grande afluxo de pessoas.
Há, porém, uma forma de solidão mais comum e muito mais incômoda e dolorosa. Não raro, ela deixa marcas profundas em nossa mente, tanto no consciente quanto, e principalmente, no subconsciente, e é causa de grande sofrimento, que não raro se transforma em complexos de inferioridade, neuroses, psicoses ou coisas piores. Tem motivado, inclusive, tragédias, como agressões físicas e/ou morais, assassinatos, suicídios etc. Refiro-me à chamada “solidão a dois”.
Todo relacionamento afetivo, que não objetive, somente, uma ocasional relação sexual, começa sob os melhores augúrios e expectativas. Principalmente quando achamos que encontramos o amor da nossa vida. Alguns conseguem, bem ou mal, expressar esse afeto, e receber reciprocidade. Nesses casos, a união se torna estável, cresce, se consolida e dura até que um dos parceiros venha a morrer. Outros se acomodam, assumem a postura de “donos” do seu par, ou experimentam aventuras extraconjugais que machucam e não raro sufocam e findam por matar o afeto, mas por questões familiares, mantêm, nominalmente, o casamento. Tornam-se infelizes (e geram infelicidade a quem juraram “amor eterno”). Instala-se, num relacionamento desse tipo, a terrível solidão a dois em que, fisicamente, os parceiros permanecem juntos. Mas psicológica e afetivamente...
Há casos e casos, todos com final infeliz. Existem pares, por exemplo, que mesmo se amando reciprocamente, não sabem expressar o que sentem. Findam por se separar, em meio a ressentimentos, mágoas, recriminações e surdo (mas onipresente) rancor mútuo.
E tudo por que? Por falta de diálogo. Pelo fato dos dois (ou de um deles pelo menos) se esquecerem que o amor é auto-doação mútua, total, irrestrita e permanente. Por não se darem conta que o relacionamento amoroso não se trata de mera transação, do tipo dá cá, toma lá. Por não entenderem que ele não é um jogo de interesses, não importa de que natureza, e que não implica em dominação e conseqüente servidão, mas exige absoluta igualdade, quer de comportamento, quer de sentimentos, entre os parceiros.
Quem raciocina de forma egoísta, julgando-se o centro do universo e, portanto, “senhor” da companheira (ou “senhora” do companheiro, claro), faz com que o relacionamento fique doentio, vicioso, asfixiante e assuma caráter de terrível instabilidade, mesmo que ambos se amem, genuína e sinceramente. Quem agir dessa forma, certamente irá conhecer as agruras e o terror da solidão a dois. Sua aposta, mesmo que não se dê conta ou que negue, será no fracasso.
Por isso, é de rara felicidade o que Vinícius de Moraes escreveu, em um dos seus antológicos e mais inspirados poemas, conhecido pela maioria. Ou seja, que “o amor é eterno... enquanto dura”. Para uns, adquire a durabilidade que se estende por toda a vida (e, quem sabe, além dela). Para outros...pode durar poucos anos, quando não meses, semanas ou mesmo alguns parcos dias.
(Por Pedro J. Bondaczuk - http://www.planetanews.com)

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