Amar Demais... Um Erro!

Amar Demais... Um Erro!

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Mendigando Amor

O amor é, sem dúvida, o mais poderoso alimento para nossa alma.
Pessoas felizes e bem resolvidas amam, antes de tudo, a si mesmas.
Só, então, tornam-se capazes de direcionar seu amor ao restante do mundo.
Muitos seres humanos, porém, ainda vêem o amor como algo que precisam conquistar no exterior. Merecer e alcançar o amor de alguém é, para eles, o principal foco de atenção de suas vidas.
Entretanto, se ao invés disso, voltassem seus olhares para dentro de si mesmos e buscassem descobrir ali o que tanto procuram, certamente se sentiriam preenchidos e prontos para compartilhar esta plenitude com os demais, ao invés de mendigar o amor como os famintos imploram por comida.
Quando nos tornamos dependentes de uma fonte externa de alimento para nossas almas, ficamos extremamente vulneráveis, visto que toda forma de dependência nos fragiliza e pode nos levar a abrir mão de princípios e valores, apenas para obter a aceitação alheia.
Cuidar de si mesmo é o primeiro passo para se ter uma auto-estima forte, pois esta é a melhor garantia contra a indigência afetiva. Mendigar amor reduz as chances de que despertemos a admiração e o respeito do outro, condições essenciais para que este sentimento possa florescer.
Quando, ao contrário, nos colocamos diante do mundo de maneira confiante, expressando nossas melhores qualidades com segurança, tornamo-nos muito mais atraentes e podemos abrir mão de qualquer concessão para ter o amor e a admiração alheios. Eles simplesmente virão como reflexo de nossa própria luz.
Nunca pense em termos de os outros terem que amar você. Isso é uma atitude errada; está enraizada na infância. Uma criança simplesmente espera ser amada. E, é claro, é natural para uma criança, porque, como a criança pode amar? Uma criança de um dia de idade – como ela pode amar? Ela não pode nem sequer segurar o dedo da mãe. Ela não pode fixar seus olhos na mãe; tudo é turvo. Ela não sabe quem é a mãe e quem é quem. Como você pode esperar que ela ame? Ela simplesmente recebe amor.
Pouco a pouco ela aprende uma coisa: que os outros têm que amá-la. Isso é bom na infância, mas a pessoa tem que ir além – só então você se torna um adulto. Um homem se torna um adulto no dia em que ele começa a sentir que agora ele tem que amar. Não é uma questão de alguém amá-lo.
... Você não é mais uma criança. Você está se comportando dentro de um padrão infantil. Comece a amar. Quanto mais você amar, mais você verá que mais pessoas estão vindo até você para amá-lo, porque o amor atrai amor assim como o ódio atrai ódio.
Se você odiar, as pessoas o odiarão. Se você amar, as pessoas o amarão. Mas não se incomode se os outros o estão amando ou não. Simplesmente ame. Amar é uma atividade tão prazerosa – quem se importa se há algum retorno ou não? É como cantar. Você canta e se deleita. Se alguém aplaude, ótimo. Se ninguém aplaude, é uma questão deles. Você se deleita da mesma forma.
Comece a amar. E não peça amor. O amor será uma conseqüência natural..... Ele é uma graça. É um presente. Ele vem porque toda a existência está cheia de amor. Não é porque você tem capacidade, não é porque você tem algum valor que ele vem para você. Não, ele vem para você porque toda a existência é cheia de amor. A existência é feita da matéria chamada amor. É exatamente como o ar que o circunda. Você simplesmente inspira e expira e a coisa continua.
Assim, esqueça sobre merecimento. Comece a amar, e você verá o amor chegando, florescendo. Ele vem mil vezes mais. Simplesmente compartilhe e continue a meditar.
(Por  Elisabeth Cavalcante - http://www.stum.com.br/conteudo/conteudo.asp?id=10651)

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

A busca desesperada do amor

 No mundo ocidental, as pessoas amam estar amando. Apaixonam-se pela paixão. Estamos aprisionados pelo mito do amor romântico e pela ideia de que só é possível haver felicidade se existir um grande amor. Principalmente as mulheres. Não importa muito se a relação amorosa seja limitadora ou tediosa. Qualquer coisa é melhor do que ficar sozinha. Fundamental é ter um homem ao lado, o resto se constrói — ou se inventa. Busca-se, portanto, desesperadamente, o amor. Acredita-se tanto nisso que a sua ausência abala profundamente a autoestima de uma pessoa e faz com que se sinta desvalorizada...

E quando começam o namoro com um homem, depositam nele a expectativa de nunca mais ficar sozinhas, de se sentir completas, estabelecendo então uma relação de dependência. Concordo com a escritora canadense Bonnie Kreps quando diz que nessa busca incessante do amor romântico, a mulher, na nossa cultura, quando encontra um par, se torna a Bela Adormecida ao avesso. “Quando é beijada pelo homem (príncipe) não é despertada, ao contrário, adormece para quem é, para quem ele é, para a realidade. Adormece e se esforça para ficar adormecida.”

Por Regina Navarro (http://odia.terra.com.br) 

Como preencher o vazio?


Às vezes, sentimos um grande vazio dentro da gente. Então vamos atrás de coisas para preenchê-lo. Saímos por aí a comprar, roupas, sapatos, acessórios, móveis, qualquer coisa que, decidimos que nos faz muita falta, mesmo que estejamos com o armário e a casa cheios de tudo isso.
Daí, chegamos em casa, cheias de compras e inicialmente, a sensação é de saciedade. Mas, logo depois o vazio se manifesta novamente. Então vamos ao cabelereiro! Cortamos e pintamos o cabelo, fazemos mãos e pés, depilação, etc, etc, etc. Depois de um tempinho, lá está ele novamente e, parece que é maior do que era antes.
O que fazer? Como preencher este vazio? Com certeza, não será com nada de fora para dentro, pois ele é interno. É algo dentro da gente gritando, dizendo que alguma coisa não está bem! Não pode ser resolvido com falsas soluções vindas de fora. É preciso olhar pra dentro, parar tudo, silenciar e procurar sentir-se, ouvir-se, para ver o que está causando essa sensação. Carência, decepção, frustração, solidão, falta de objetivo, de motivação, são sentimentos que ajudam a aumentar o vazio, tornando-o cada vez maior.
Inicialmente, parece que precisamos preenchê-lo de fora pra dentro, que outra pessoa ou objeto, poderá resolver a questão. Se eu tivesse alguém, se essa pessoa me amasse, fizesse tudo que eu quero e do jeito que eu quero, me cercasse de toda atenção e cuidados, então eu não me sentiria assim. Se tivesse o emprego dos sonhos, realizando o que eu realmente gosto e tivesse um retorno financeiro muito compensador, então não me sentiria assim. Se a vida fosse sem problemas, sem desafios, sem tristeza, sem medos, então não me sentiria assim. E por aí vai a lista de soluções aparentes que encontramos.
Na realidade, poderíamos ter tudo isso, e ainda sentir o vazio. Por que? É que, volto a dizer, ele é interno.
Amarmos a nós mesmos primeiramente, nos aceitando como somos, percebendo nossos defeitos, mas as qualidades também. A maioria das pessoas, percebe muito mais as coisas erradas do que as certas em si.
Descobrindo quem somos, como somos, o que nos faz bem, o que nos faz felizes, o que queremos pra nossa vida e, nos proporcionando isso. Fazendo primeiramente por nós, para nós. Procurar ser uma pessoa por inteiro, completa, que não precisa de outra pessoa ou objeto, para sentir-se inteira. Manter uma conexão com o espiritual, com Deus, ou seja lá que nome damos a esta força superior, cultivar e reforçar sempre a fé.
Ter pessoas importantes, que amamos, ao nosso lado, claro que é importante! Ter um trabalho que nos dá prazer é também algo importante. Claro que isso nos faz bem e torna o dia a dia mais feliz! Mas não pode ser o fundamental, não pode ser mais importante do que estarmos bem conosco mesmos, em paz, equilibrados e tranqüilos. Tudo que fazemos pensando apenas no retorno financeiro, sem nos preocuparmos se é o que realmente gostamos de fazer, fica sem graça. O importante é seguir o propósito da nossa alma, daí a recompensa será sempre maior.
Precisamos ter um objetivo que nos faça seguir adiante, que nos motive a olhar cada dia, como um novo tempo cheio de possibilidades. Acreditar em nós mesmos, saber que há uma força maior que nos guia, basta ouvi-la, deixar que esta força venha à tona e, nos mostre o caminho.
Desta forma, lentamente vamos preenchendo o vazio e nos sentindo completos, repletos de luz, força, amor e paz. Capazes de fazer qualquer coisa por nós, pelo próximo e pelo planeta no qual vivemos.
(Por Claudete Loth - http://www.stum.com.br/clube/artigos.asp?id=26330)

sábado, 3 de setembro de 2011

Codependência


Codependência

é
a inabilidade de manter e nutrir relacionamentos saudáveis com os outros e consigo mesmo.
Nos relacionamentos co-dependentes
não existe a discussão direta dos problemas, expressão aberta dos sentimentos e pensamentos, comunicação honesta e franca, expectativas realistas, individualidade, confiança nos outros e em si mesmo.

Eu sou Codependente? Algumas perguntas para autodiagnóstico
As perguntas a seguir servem para identificar
possíveis padrões de codependência.

Somos conscientes que o Autoconhecimento é um assunto muito sério e por sua vez pessoal. Esperamos que estas perguntas possam ser-lhe úteis...
•       Você se sente responsável por outra pessoa? Seus sentimentos, pensamentos, necessidades, ações, escolhas, vontades, bem-estar e destino?
•       Você sente ansiedade, pena e culpa quando outras pessoas têm problemas?
•       Você se flagra constantemente dizendo "sim" quando quer dizer "não"?
•       Você vive tentando agradar aos outros ao invés de agradar a si mesmo?
•       Você vive tentando provar aos outros que é bom o suficiente? Você tem medo de errar?
•       Você vive buscando desesperadamente amor e aprovação? Você sente-se inadequado?
•       Você tolera abuso para não perder o amor de outras pessoas?
•       Você sente vergonha da sua própria vida?
•       Você tem a tendência de repetir relacionamentos destrutivos?
•       Você se sente aprisionado em um relacionamento? Você tem medo de ficar só?
•       Você tem medo de expressar suas emoções de maneira aberta, honesta e apropriada?
•       Você acredita que se assim o fizer ninguém vai amá-lo?
•       O que você sente sobre mudar o seu comportamento? O que impede-lhe de mudar?
•       Você ignora os seus problemas ou finge que as circunstâncias não são tão ruins?
•       Você vive ajudando as pessoas a viverem? Acredita que elas não sabem viver sem você?
•       Tenta controlar eventos, situações e pessoas através da culpa, coação, ameaça, manipulação e conselhos, assegurando assim que as coisas aconteçam da maneira que você acha correta?
•       Você procura manter-se ocupado para não entrar em contato com a realidade?
•       Você sente que precisa fazer alguma coisa para sentir-se aceito e amado pelos outros?
•       Você tem dificuldade de identificar o que sente? Tem medo de entrar em contato com seus sentimentos como raiva, solidão e vergonha.
Mais informações acesse o site do CoDA http://www.codabrasil.org/index1.htm


sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Por que mulheres insistem em relacionamentos complicados?


Um novo estudo tentou esclarecer por que algumas mulheres insistem em manter relacionamentos complicados, muitas vezes abusivos, com seu parceiro. Os pesquisadores descobriram que as mulheres psicologicamente abusadas conseguem ver traços positivos em seus abusadores mesmo assim.
Os pesquisadores analisaram cerca de 600 mulheres americanas de baixa-renda para descobrir os motivos pelos quais elas persistiam nesse tipo de relacionamento.
- 42% das mulheres declararam terem sido abusadas (sexualmente ou psicologicamente) pelos seus parceiros no último ano.
- A agressão psicológica era a mais comum, seguida por agressão física e, por último, abuso sexual.
- Um pequeno grupo de mulheres admitiu que seus parceiros eram realmente controladores (2,3% das entrevistadas). Pouco mais de 1% disse que eles tinham comportamento extremamente violento.
Mas, apesar desses dados, mais da metade das mulheres “abusadas” considerava que seus companheiros ainda possuíam traços de personalidade bons, logo, valia a pena continuar investindo na relação. 54% considerava seus maridos dependentes delas e 21% disseram que eles eram amáveis, mesmo sendo abusivos muitas vezes.
Baseados nos dados, os cientistas separaram os homens em três grupos: os dependentes e abusivos (44%) que poderiam ser carinhosos e tinham a menor quantidade de comportamento violento. Homens controladores (38%) possuíam uma tendência maior à violência. Os perigosamente abusivos (18%)tinham os maiores níveis de violência.
Segundo os cientistas, mais estudos serão necessários para entender as mulheres que são abusadas – mas os resultados atuais já irão ajudar aqueles que trabalham com serviço social relacionado à esse tipo de problema.
Fonte: LiveScience

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Dúvidas perturbadoras


O medo de fazer escolhas erradas pode levar a pessoa a estacionar na dúvida. É necessário fazer opções diante de várias possibilidades. Um dos melhores aspectos da vida são as escolhas contínuas que ela nos apresenta. É melhor errar e voltar atrás do que não sair do lugar.
Você não pode impedir que as dúvidas, em forma de pensamentos, surjam em sua mente. Mas pode impedir que a mente alimente pensamentos de dúvida exercitando o poder do foco.
Todos nós temos o poder de administrar o que pensamos.
Depende de treinamento e da determinação de cada pessoa para se manter vigilante em relação ao que permite que alimente sua mente.
Claro que não podemos controlar tudo o que se passa em nossa cabeça. Mas temos o poder de substituir pensamentos ruins por outros, positivos e fortalecedores.
Isso significa se concentrar no que deseja para si mesmo.
Diante da dúvida, podemos deixar de lado os pensamentos que produzem ansiedade paralisante para focar no que buscamos e que escolha nos aproximará mais das nossas metas.
Assuma o controle sobre si mesmo.
Deixar-se dominar por dúvidas é como fazer pequenos furos no casco do seu navio, provocando o naufrágio. Dúvidas interrompem seu plano de ação e provocam o naufrágio das metas.
Permitir que a dúvida se torne um estado habitual é uma forma de ir deixando para depois, vendo a vida passar sem aproveitar as oportunidades..
Você nunca vai ter certeza absoluta de que fez a melhor escolha, não importa a escolha que fizer.
Mas pode estar certo de que ao não fazer nenhuma escolha, já está escolhendo a frustração. Quem não escolhe permanece no conflito.
As dúvidas traem seu propósito, pois a indecisão destrói oportunidades.
Pessoas indecisas podem terminar vivendo de sonhos. Quando acordam se vêem vazias, no mesmo ponto de partida de onde nunca saíram.
O que você tem a perder apostando numa escolha?
Não há garantias na vida. Ao optar por algo, você abre mão das outras opões. Talvez, aí se encontre a chave da dificuldade de decidir.
Mas ao não fazê-lo, na verdade, você entrega o seu poder ao outro, ao mundo, às circunstâncias e fica à mercê dos acontecimentos.
Reconheça a dúvida que se encontrar presente, aceite-a  e comece a fazer perguntas a si mesmo que o levem às respostas que precisa.
Mantenha o foco no resultado desejado e tenha clareza sobre o que deseja alcançar.
Uma vez definido o seu objetivo, parta para a ação. 
Cada passo além fortalecerá os músculos da vontade. Alguém cheio de dúvidas é como um homem em cima do muro assistindo a vida passar.
Somente a ação modifica a vida e constrói as experiências que se deseja viver.
Por Jael Coaracy - http://www.vaidarcerto.com.br/site/artigo.php?id=770)

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Crônica A vida que pedi a Deus


Se fosse feita uma enquete nas ruas com a pergunta: "Você tem a vida que pediu a Deus?", a maioria responderia com um sonoro "quá quá quá".
Lógico que alguém desempregado, doente ou que tenha sido vítima de uma tragédia pessoal não estará muito entusiasmado.
Mas mesmo os que teriam motivos para estar (aqueles que possuem emprego, saúde e alguma relação afetiva, que é considerada a tríade da felicidade) também não têm achado muita graça na vida.
O mundo é habitado por pessoas frustradas com o próprio trabalho, pessoas que não estão satisfeitas com o relacionamento que construíram, pessoas saudosas de velhos amores, pessoas que gostariam de estar morando em outro lugar, pessoas que se julgam injustiçadas pelo destino, pessoas que não agüentam mais viver com o dinheiro contado, pessoas que gostariam de ter uma vida social mais agitada, pessoas que prefeririam ter um corpo mais em forma, enfim, os exemplos se amontoam.
Se formos espiar pelo buraco da fechadura de cada um, descobriremos que estão todos relativamente bem, mas poderiam estar melhor.
Por que não estão? Ora, a culpa é do governo, do papa, da sociedade, do capitalismo, da mídia, do inferno zodiacal, dos carboidratos, dos hormônios e demais bodes expiatórios dos nossos infernizantes dilemas. A culpa é de tudo e de todos, menos nossa.
Um amigo meu, psiquiatra, costuma dizer uma frase atordoante. Ele acredita que todas as pessoas possuem a vida que desejam. Podem até não estar satisfeitas, mas vivem exatamente do jeito que acham que devem. Ninguém as força a nada, nem o governo, nem o Papa, nem a mídia. A gente tem a vida que pediu, sim. Se ela não está boa, quem nos impede de buscar outras opções?
Quase subo pelas paredes quando entro neste papo com ele porque respeito muito as fraquezas humanas. Sei como é difícil interromper uma trajetória de anos e arriscar-se no desconhecido. Reconheço os diversos fatores - família, amigos, opinião alheia - que nos conduzem ao acomodamento.
Por outro lado, sei que este meu amigo está certo. Somos os roteiristas da nossa própria história, podemos dar o final que quisermos para nossas cenas. Mas temos que querer de verdade. Querer pra valer. É este o esforço que nos falta.
A mulher que diz que adoraria se separar mas não o faz por causa dos filhos, no fundo não quer se separar. O homem que diz que adoraria ganhar a vida em outra atividade, mas já não é jovem para experimentar, no fundo não quer tentar mais nada.
É lá no fundo que estão as razões verdadeiras que levam as pessoas a mudarem ou a manterem as coisas como estão. É lá no fundo que os desejos e as necessidades se confrontam. Em vez de nos queixarmos, ganharíamos mais se nadássemos até lá embaixo para trazer a verdade à tona. E então deixar de sofrer.

(Martha Medeiros)


segunda-feira, 29 de agosto de 2011

As loucuras da paixão


Regina Navarro Lins: "Ela é tão invasiva e poderosa que pode fazer com que sejam ignoradas todas as obrigações habituais”
Stephen Fleming é um dos líderes do parlamento inglês, com reputação intocável e comportamento familiar exemplar. Isto até se apaixonar pela noiva do filho, Anna. Os dois começam um relacionamento, mas Anna não está disposta a abrir mão do noivo. Stephen então altera sua rotina para estar com ela em seus encontros furtivos. Eles sabem o quanto este relacionamento pode abalar as pessoas que amam e destruir suas vidas, mas a paixão é mais forte que a razão. O que acontece? Uma tragédia. Esta é a sinopse do filme Perdas e Danos, de Louis Malle, baseado na novela de Josephine Hart, com Jeremy Irons e Juliette Binoche nos papeis principais.
A paixão nos faz olhar o mundo de outra forma. Tudo assume cores e matizes surpreendentes. Êxtase, euforia, apreensão, dias inquietos, noites insones... É possível estar entre muitas pessoas e ficar preso por uma única imagem. Todos desaparecem, até a realidade se afasta do cenário e a pessoa amada se torna a única presença significativa, a única que nos importa. Vivemos numa espécie de “solidão a dois”. Uma dimensão minha, interna, de que eu não era consciente, emerge e eu me enriqueço com o que até aquele momento me era desconhecido.
A paixão pode ser comparada ao estado hipnótico. Há uma fixação no ser amado, o que em alguns casos se torna uma obsessão. Os amantes experimentam um sentimento de incrível plenitude e, simultaneamente, têm a impressão de terem vivido até aquele momento em estado de privação: a presença do outro é fonte de bem-estar que parece ter possibilidades inesgotáveis. É como se novas percepções e emoções enchessem os nossos canais sensoriais, abrindo à alma outra dimensão.
Por quem nos apaixonamos? "Não dá pra você antecipar por quem vai se apaixonar, nem qual o motivo que te faz se apaixonar. O apaixonamento é algo que te atropela, você é assolado, é tomado por aquilo. E exatamente o que o torna imprevisível é a impossibilidade de você estabelecer quais são os elementos que vão possibilitar esse apaixonamento. Caso contrário, você se protegeria. Para se apaixonar basta estar vivo e desejante, aberto para isso.”, responde o professor de teoria psicanalítica e escritor Luiz Alfredo Garcia-Roza
Para o sociólogo inglês Anthony Giddens, o amor apaixonado tem sido sempre libertador, mas apenas no sentido de gerar uma quebra da rotina e do dever. Foi precisamente essa qualidade que sempre o colocou à parte das instituições existentes. Até pouco tempo atrás, nunca foi aceito como base para o casamento; ninguém ousava criar ligações duradouras a partir de um amor apaixonado. Em várias culturas essa experiência tem sido vista de diversas formas, desde uma revelação divina até uma psicose.
Isso porque a principal característica da paixão é a urgência. Ela é tão invasiva e poderosa que pode fazer com que sejam ignoradas todas as obrigações habituais. Perturba as relações cotidianas, arrancando a pessoa das atividades a que está acostumada, deixando-a completamente fora do ar. É comum se fazerem escolhas radicais e muitas vezes penosas — falta-se ao trabalho, larga-se o emprego, muda-se de cidade, abandona-se a família. “O amor é bem comportado, se faz no lugar da ordem. É exercido a partir de uma série de referências bem ordenadas. A paixão, não. Ela subverte, perverte, te vira pelo avesso. A paixão te coloca fora da lei. O amor é legal, tem futuro, faz promessas...”, acrescenta Garcia-Roza
O francês Denis de Rougemont, grande estudioso do amor no Ocidente, afirma que raramente os poetas cantam o amor feliz, harmonioso e tranquilo. E que o romance passa a existir unicamente onde o amor é fatal, proscrito, condenado... e não como a satisfação do amor. As provas, os obstáculos, as proibições, são as condições da paixão. Afinal, paixão significa sofrimento.
O desejo e o sofrimento fazem com que todos se sintam vivos, proporcionando um frisson, e muitas surpresas. Necessita-se do outro, não como ele é no real, mas como instrumento que torna possível viver uma paixão ardente. Somos envolvidos por um sentimento tão intenso que por ele ansiamos, apesar de nos fazer sofrer. Os apaixonados não precisam da presença do outro, mas da sua ausência. Contudo, a maioria reconhece que a paixão acaba logo.
Mesmo durando pouco, a paixão sempre foi sentida como uma doença da alma que, além de limitar a liberdade individual, pode levar ao assassinato ou ao suicídio. Para o famoso antropólogo Malinowski, estudioso de várias culturas, a paixão existe em qualquer lugar do mundo e atormenta a mente e o corpo, podendo conduzir a um impasse, um escândalo ou uma tragédia. Raramente ilumina a vida fazendo com que o coração se expanda e transborde de alegria.
Vários estudos já mostraram que o violento distúrbio emocional causado pela paixão é desencadeado por algo físico que acontece no cérebro. Talvez aí se explique porque as pessoas apaixonadas são capazes de ficar acordadas a noite inteira, conversando ou fazendo sexo. Mas existem alguns pré-requisitos: certo distanciamento e mistério são essenciais para a paixão; em geral, as pessoas não se apaixonam por alguém que conhecem bem.
Segundo uma pesquisa sobre a natureza da paixão, feita recentemente nos Estados Unidos, em que foram entrevistadas cinco mil pessoas em 37 culturas, há uma série de evidências de que essa exaltação seja criada por um coquetel de substâncias químicas cerebrais e deflagrada pelo condicionamento cultural. Os pesquisadores observaram que esse tipo de emoção não dura mais que dois anos e meio, quando a pessoa começa a voltar a um estado mental relaxado. Em meados da década de 60 a psicóloga americana Doroty Tennov já havia chegado à conclusão de que a duração média de uma paixão é de 18 meses a três anos. Suspeita-se que seu término também se deva à fisiologia cerebral; o cérebro não suportaria manter eternamente essa excitação.
Mas a paixão está em via de extinção. As mentalidades estão mudando e a tendência é outra. A filósofa francesa Elisabeth Badinter acredita que agora homens e mulheres sonham com outra coisa diferente dos dilaceramentos. Se as promessas de sofrimento devem vencer os prazeres, preferimos nos desligar. Além disso, a permissividade tirou da paixão seu motor mais poderoso: a proibição. “Ao admitir que o coração não está mais fora da lei, mas acima dela, pregou-se uma peça no desejo”, diz ela. Então, mesmo que ainda quiséssemos, não poderíamos mais. As condições da paixão não estão mais reunidas, tanto do ponto de vista social quanto psicológico.
(http://delas.ig.com.br/colunistas/questoesdoamor/perdas+e+danos+da+paixao/c1237713130444.html)

domingo, 28 de agosto de 2011

Você aceita um marido?

“Não obrigada”. Esta resposta tem sido cada vez mais frequente entre as mulheres asiáticas. O tema é a capa da última edição da revista inglesa The Economist. A idade que as mulheres estão casando aumentou muito e, diz o artigo, muitas preferem ficar solteiras e sem filhos. A razão é o crescimento do número de mulheres nas universidades e no mercado de trabalho. Financeiramente independentes, elas pensam duas vezes antes de aceitar a dura vida de casada. Dura porque na Ásia, em que pese a diferença de tradições entre os países, casamento para mulher significa o início de muito trabalho cuidando do marido, dos filhos e dos pais e sogros. A semanda das japonesas, por exemplo, têm 44 horas de trabalho na empresa e 33 horas de trabalho doméstico.
 
A dupla jornada para mulheres casadas e com filhos existe em todo o mundo, mas na Ásia é mais acentuada, diz a reportagem da revista The Economist. Veja a íntegra da matéria http://www.economist.com/node/21526329

No Brasil elas também estão casando mais tarde. Veja na tabela os dados do IBGE, consolidados pelo economista Luis Eduardo de Assis. No Brasil os números são igualmente impressionantes. Entre 1997 e 2009 aumentou muito a idade média das mulheres solteiras que se casaram.

Assis chama atenção para o grupo de mulheres entre 45 e 49 anos de idade, onde ocorre o maior crescimento do número de casamentos.
Em 1997, 69% dos casamentos envolvia mulheres com menos de 24 anos. Em 2009 este percentual caiu para 47,52%
Casamentos de mulheres solteiras acima de 35 anos eram 4,6 % do total de casamentos em 97. Em 2009 este numero pulou para 11%.
Casamentos de mulheres com menos de 20 anos em 97 era 31,7% do total dos casamentos. Caiu para menos de 16% em 2009.

 Por Mara Luquet (http://colunas.cbn.globoradio.globo.com/platb/maraluquet/) 

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Complicações do Amor e Amor Patológico (Parte VII - Final)


Homens ou Mulheres sofrem mais de Amor Patológico?


Talvez o Amor Patológico seja particularmente mais prevalente na população feminina porque as queixas são mais referidas pelas mulheres. As mulheres são mais sinceras em queixarem “que sofrem com o problema”, que são “obcecadas" ou "viciadas" pelo parceiro, ou que deixam de viver a própria vida para "viver pelo outro". Além disso, as mulheres costumam dar maior ênfase aos comportamentos amorosos, tais como as atividades mútuas, as ocasiões especiais, presentes, abnegação e sacrifícios pelo relacionamento.

Atualmente existem grupos de auto-ajuda trabalhando nesse tema, como é o caso do site  Mulheres que Amam Demais Anônimas (MADA), basicamente excluindo quaisquer participações masculinas.

A proposta desse grupo MADA, baseada em livro do mesmo nome, é a recuperação para mulheres que têm como objetivo primordial se recuperar da dependência de relacionamentos escravizantes, destrutivos, aprendendo a se relacionar de forma saudável consigo mesma e com os outros.

O grupo MADA através de seu site transcreve aquilo que pode ser considerado as Características de Uma Mulher que Ama Demais. Em nosso caso, poderia ser aplicado aos portadores do Amor Patológico.

Segundo Robin Norwood, o grupo MADA recomenda algumas características da mulher que ama demais:

1. Vem de um lar desajustado, em que suas necessidades emocionais não foram satisfeitas.

2. Como não recebeu um mínimo de atenção, tenta suprir essa necessidade insatisfeita através de outra pessoa, tornando-se superatenciosa, principalmente com homens aparentemente carentes.

3. Como não pode transformar seus pais nas pessoas atenciosas, amáveis e afetuosas de que precisava, reage fortemente ao tipo de homem familiar, porém inacessível, o qual tenta, transformar através de seu amor.

4. Com medo de ser abandonada, faz qualquer coisa para impedir o fim do relacionamento.

5. Quase nada é problema, toma muito tempo ou mesmo custa demais, se for para "ajudar" o homem com quem esta envolvida.

6. Habituada à falta de amor em relacionamentos pessoais, está disposta a ter paciência, esperança, tentando agradar cada vez mais.

7. Está disposta a arcar com mais de 50% da responsabilidade, da culpa e das falhas em qualquer relacionamento.

8. Sua auto-estima está criticamente baixa, e no fundo não acredita que mereça ser feliz. Ao contrário, acredita que deve conquistar o direito de desfrutar a vida.

9. Como experimentou pouca segurança na infância, tem uma necessidade desesperadora de controlar seus homens e seus relacionamentos. Mascara seus esforços para controlar pessoas e situações, mostrando-se "prestativa".

10. Esta muito mais em contato com o sonho de como o relacionamento poderia ser, do que com a realidade da situação.

11. Tem tendência psicológica, e com freqüência, bioquímica a se tornar dependente de drogas, álcool e/ou certos tipos de alimento, principalmente doces.

12. Ao ser atraída por pessoas com problemas que precisam de solução, ou ao se envolver em situações caóticas, incertas e dolorosas emocionalmente, evita concentrar a responsabilidade em si própria.

13. Tende a ter momentos de depressão, e tenta preveni-los através da agitação criada por um relacionamento instável.

14. Não tem atração por homens gentis, estáveis, seguros e que estão interessados nela. Acha que esses homens "agradáveis" são enfadonhos.



(Ballone GJ - Complicações do Amor, in. PsiqWeb, Internet - disponível em http://www.psiqweb.med.br)





Complicações do Amor e Amor Patológico (Parte VI)


2. - Transtornos de Personalidade

Os Transtornos de Personalidade, notadamente do tipo Anti-social, Explosiva, Histérica, Paranóide e Personalidade Obsessiva-Compulsiva são condições que comprometem significativamente a qualidade do relacionamento, fazendo sofrer não apenas a pessoa portadora desses transtornos como, igualmente ou mais, a outra que não consegue deixar de amar.
Os Transtornos da Personalidade caracterizam pessoas que não têm uma maneira absolutamente normal de viver (do ponto de vista estatístico e comparando com a média das outras pessoas), mas não chegam a preencher os critérios para um transtorno mental franco. Estas alterações são permanentes, e constituem uma espécie de Ego Patológico (Veja).

2.1 - Personalidade Anti-Social
. Aqui, entre outras características, o descaso pelos sentimentos alheios, a incapacidade de arrependimento e de correção das atitudes erradas, o envolvimento continuado em comportamentos anti-sociais e outros delitos, faz com que a pessoa que os ama sofra continuadamente. Sofrerá mais ainda se, por conta do amor, persistir acreditando que um dia essa pessoa melhorará.

2.2 -Personalidade Explosiva, ou Transtorno Explosivo Intermitente
. Neste caso, a ocorrência de episódios de grande impulsividade, agressividade, ou mesmo de destruição de propriedades deformam o relacionamento amoroso. Nesse transtorno o grau de agressividade do episódio é amplamente desproporcional a qualquer provocação ou desencadeante, fazendo com que a pessoa que convive com o portador desse tipo de personalidade experimente muito medo e insegurança.

2.3 - Personalidade Histérica
. No histérico, o traço prevalente e unanimemente reconhecido é o “histrionismo”. A palavra, que significa teatralidade, vem da Roma antiga, onde histrião era o comediante que representava papeis. O histrionismo do histérico é representado por seu caráter afetado, exagerado, exuberante, como se estivesse fingindo.
A representação do histérico varia de acordo com as expectativas da platéia. É um comportamento caracterizado por colorido dramático, extrovertido e eloqüente, com notável tendência em buscar contínua atenção. Como se deduz, a convivência amorosa com esse tipo de pessoa, altamente manipuladora, é extremamente cansativa e sofrível.

2.4 - Personalidade Paranóide
. Pessoas com Transtorno da Personalidade Paranóide têm como característica um padrão de comportamento de desconfiança e suspeita constante em relação aos outros, de tal modo que atitudes sem intenções maldosas podem ser interpretadas como tal. As pessoas com esse transtorno supõem que os outros os exploram, prejudicam ou enganam, ainda que não exista qualquer evidência apoiando esta idéia.
Eles suspeitam, com base em poucas ou nenhuma evidência que os outros, incluindo a pessoa amada, estão conspirando contra eles e que poderão prejudicá-los subitamente, a qualquer momento e sem qualquer razão. Evidentemente não é necessário dizer como sofrem as pessoas que, infelizmente, deixaram que o amor surgisse por pessoas assim.

2.5 - Personalidade Obsessiva-Compulsiva
. A Personalidade Obsessivo-Compulsiva faz com que a pessoa tenha uma preocupação exagerada com organização, perfeccionismo e controle das coisas. Elas tentam manter um sentimento de controle através da atenção exagerada a regras, detalhes triviais, procedimentos, listas, horários ou formalidades, busca de possíveis erros, chegando a perder a noção do que é, de fato, o ponto mais importante da atividade.
Estas pessoas não percebem que os outros tendem a ficar muito aborrecidos com as inconveniências que resultam de seu comportamento obsessivo. Quando extraviam uma lista de coisas a fazer, por exemplo, passam um período de tempo incomum procurando-a, ao invés de terem iniciativa de recriar a lista perdida. O grau de exigência dessas pessoas para com os outros, de sua intimidade, é muito alto, tão alto ao ponto de causarem grande sofrimento. 

2.6 - Personalidade Borderline
O transtorno denominado Personalidade Borderline é uma das causas de sofrimento no relacionamento amoroso e deve ser diferenciado do Amor Patológico. O Transtorno de Personalidade Borderline é marcado pela instabilidade nos relacionamentos interpessoais, na auto-imagem e nos afetos, além de ocorrer acentuada impulsividade, desde a infância. 
O diferencial entre Amor Patológico e Transtorno de Personalidade Borderline é que este último apresenta alterações comportamentais sempre em várias situações ou em grande variedade de contextos. No portador de Amor Patológico, por sua vez, estes sintomas ocorrem apenas em relação ao companheiro mediante ameaça de ruptura do laço amoroso. O borderline não sabe e não suporta perdas, notadamente abandonos.
O grande diferencial entre as duas patologias é que o portador de Transtorno de Personalidade Borderline apresenta este quadro em uma variedade de contextos, ou seja,  em relação à pessoa amada, havendo pois, normalidade psíquica nas demais áreas da atividade humana.
Transcrevendo nosso texto sobre Borderline, dizemos que “há pessoas, simpáticas e agradáveis aos outros, que se comportam de maneira totalmente diferente com as pessoas de sua intimidade. Para quem não lhes é íntimo, dão a impressão de pessoas compreensivas, carinhosas e muito simpáticas. Na intimidade, entretanto, são os grandes tiranos emocionais. São explosivas, agressivas, intolerantes, irritáveis, com tendência a manipular pessoas.... São pessoas com Transtorno Borderline da Personalidade”.
A patologia borderline, hoje em dia é, sem dúvida, uma problemática psicossocial importante, já que freqüentemente se associam a quadros de drogadição, alcoolismo e violência.
Certos autores comparam ao paciente borderline atual com os histéricos do final do século XIX e princípios do século XX. Consideram as patologias equivalentes e não sem uma boa dose de razão, considerando a histeria dita de caráter.

3. - Transtornos no Controle dos Impulsos
São vários os transtornos onde os impulsos não são controlados. Entre essas alterações destaca-se, especialmente, o Jogo Patológico, o Comportamento Sexual Compulsivo, a Dependência Química,  o Trabalho Compulsivo (Workahollic), Compras Compulsivas. Enfim estes são quadros onde a atividade voluntária está seriamente comprometida. Não é necessário dizer das condições de sofrimento que comprometem a vida de quem ama pessoas com esses transtornos. Veja Comportamento Compulsivo e Transtornos do Espectro Impulsivo-Compulsivo para entender melhor.

4. - Delírio de Ciúme ou Ciúme Patológico
Outra situação clínica grave e que deve ser diferenciada do Amor Patológico é um transtorno delirante persistente, do Tipo Ciúme (veja), e cuja descrição clínica vem sendo realizada há mais de um século por diversos estudiosos. O delírio de ciúmes ocorre principalmente entre homens com alcoolismo crônico para os quais os eventos triviais são interpretados como provas da "veracidade" da deslealdade.
É difícil a distinção entre o Amor Patológico e o Delírio de Ciúme. Em ambos casos há  medo da perda da outra pessoa ou do espaço afetivo ocupado na vida desta, além de correlação com auto-estima rebaixada, conseqüentemente, à sensação de insegurança. No entanto, diferentemente do Amor Patológico, o ciúme patológico aparece como uma preocupação infundada, irracional e irreal. O potencial para atitudes violentas e egoístas no Delírio de Ciúme também é destacado nesse quadro, que desperta importante interesse da psiquiatria forense (Ferreira, 1998).
Para melhor descrever o Delírio de Ciúme, selecionamos aqui a descrição publicada pelo manual norte-americano DSM.IV. O transtorno delirante persistente Tipo Ciumento se aplica quando o tema central do delírio diz respeito a estar sendo traído pelo cônjuge ou parceiro romântico.
Esta crença é injustificada e está baseada em inferências incorretas apoiadas por pequenas “evidências", como por exemplo, roupas em desalinho ou manchas nos lençóis, que são colecionadas e usadas para justificar o delírio. O delirante geralmente confronta seu cônjuge ou parceiro e tenta intervir na infidelidade imaginada, ora restringindo a autonomia do cônjuge ou parceiro, ora seguindo-o em segredo, investigando o amante imaginário ou agredindo o parceiro.

5. - Delírio Erotomaníaco
O delírio do Tipo Erotomania, também faz parte dos Transtornos Delirantes Persistentes, e se aplica quando o tema central do delírio diz respeito a ser amado por outra pessoa. O erotomaníaco está convencido que alguém, geralmente sem nenhum vínculo pessoal com o delirante e de posição superior, o ama (Veja).
Já no Amor Patológico ocorre uma oscilação entre certeza e incerteza de que o parceiro atual (e concreto) esteja amando-o. O delírio freqüentemente envolve um amor romântico e união espiritual idealizada, ao invés de atração sexual. A pessoa sobre a qual esta convicção delirante é dirigida geralmente está em uma posição social superior, como por exemplo, uma pessoa famosa, um superior no trabalho, algum artista, ator, político, etc.
Algumas das pessoas com o delírio Tipo Erotomaníaco, particularmente os homens, entram em conflito com a lei por causa de seus esforços no sentido de alcançar o objeto de seu delírio, ou seja, o assédio da pessoa que supostamente ama-os, ou as tentativas de “salvar” essas pessoas de algum perigo imaginário.

6. – Transtornos Afetivos
Nesse caso temos os transtornos depressivos e os eufóricos (bipolares). Na depressão, quando aguda e bem definida (começou em uma época definida), a pessoa tem um comportamento apático, desinteressado e, por causa da baixa auto-estima, está sempre insatisfeita com as manifestações de amor que recebe. Considera sempre que não está sendo correspondida o tanto que gostaria, sofre (e faz sofrer) por acreditar que o fato do(a) outro(a) deixá-la ou substituí-la é apenas uma questão de tempo.Nos casos onde a depressão é crônica e duradoura (Distimia), a característica principal é um constante mau humor, difícil de se conviver.Na Euforia (contrário de depressão), também conhecida como Mania, a eloqüência, megalomania, desinibição social, agitação, insônia e todos os demais sintomas de expansão patológica do ego tornam a vida a dois insuportável. Resumindo, causa sofrimento amar pessoas cuja tonalidade afetiva proporciona depressão ou euforia.

As Pessoas que Sofrem
Como esses transtornos psíquicos, muitos outros podem comprometer a felicidade e a qualidade da vida de relação. O sofrimento é significativamente aumentado pela consciência que tem a pessoa que sofre de seu problema, ou seja, ela sabe que não deveria estar amando a pessoa problemática, mas, ao mesmo tempo, não consegue deixá-la, ou deixar de amá-la.Diante da impotência de deixar quem a faz sofrer, a pessoa recorre a alguns mecanismos de defesa do Ego, principalmente a negação, onde o problema é sistematicamente negado. Ou ainda à racionalização, onde passa a argumentar que a pessoa irá, sem dúvida, melhorar com o amor e carinho que recebe, que fora os momentos de crise a pessoa é ótima, etc. No fundo essa pessoa sofredora sabe que nenhum dos dois mecanismos de defesa são verdadeiros, mas alivia a sensação de culpa ou impotência acreditar neles.Em muitos casos, quem vive com a pessoa portadora de Amor Patológico ou outro transtorno capaz de produzir sofrimento e não consegue desvencilhar-se desse relacionamento, é também portadora de alguma dificuldade emocional. Trata-se da chamada Codependência (veja).
Codependência é um transtorno emocional definido e conceituado por volta das décadas de 70 e 80, relacionada aos familiares dos dependentes químicos, alcoolistas e mesmo com transtornos de jogo patológico ou outros problemas sérios da personalidade.
Codependentes são pessoas que vivem em função da pessoa problemática, fazendo desta tutela obsessiva a razão de suas vidas, sentindo-se úteis e com objetivos apenas quando estão interagindo com a pessoa problemática. As pessoas codependentes têm baixa auto-estima, intensos sentimentos de culpa e não conseguem se desvencilhar do relacionamento complicado.
O que parece ficar claro é que pessoas codependentes vivem tentando ajudar a outra pessoa, esquecendo, na maior parte do tempo, de cuidar de sua própria vida, auto-anulando sua própria pessoa em função do outro e dos comportamentos insanos desse outro. Essa atitude patológica costuma acometer mães (e pais), esposas (e maridos) e namoradas(os) de portadores de Amor Patológico, Alcoolistas, Dependentes Químicos, Jogadores Compulsivos, alguns Sociopatas, etc.
O Amor Patológico, por sua vez, é predominante em mulheres e se caracteriza pela excessiva desconfiança e possessividade, em geral decorrentes de baixa auto-estima.

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